Encontro de formadores
Sigüenza, setembre 2016

SER IRMÃO NA ÁSIA

 

Na atualidade o continente asiático, representa mais da metade da população do planeta com 3,95 bilhões de habitantes (pouco mais de 60% da população mundial). A sua área é de 44.482.000 km².
Pela sua vastidão geográfica é também marcada por estamentos classificatórios a partir do parâmetro econômico. Há países que ainda vivem num sistema de pobreza extrema podendo ser considerada como mais pobres do mundo. Uns se encontram em pleno processo de desenvolvimento, enquanto que outros são superdesenvolvidos. O progresso econômico carrega consigo o fenômeno do materialismo e secularismo minando os valores sociais e provocando danos irreparáveis como a exclusão social e relegando multidões a uma situação de miséria total. Para essa realidade soacial a Igreja deseja dar ênfase na evangelização com o lema motivador que “Todos tenham a vida e a tenham e abundância.
O aspecto político da Ásia é uma realidade complexa, devido a presença de muitas ideologias tanto democráticas, teocráticas, totalitárias e da presença de algumas ideologias militares ateias.
O colossal continente está marcado com a presença de numerosas religiões com antiquíssimas tradições e crenças religiosas e entre elas o cristianismo. A característica mais notável da Ásia é a grande variedade de populações que são herdeiras de antigas culturas, religiões e tradições. As principais religiões marcantes são o judaismo, cristianismo, induismo e islamismo. Merecem destaque também a presença de muitas outras crenças religiosas como busdismo, taoismo, confucionismo, entre outros. Os que vivem em sistemas tribais adotam ritos próprios para manifestar a sua crença religiosa.

ALGUNS DADOS DA EXORTAÇÃO ECCLESIA IN ÁSIA (Papa João Paulo II)
Ásia é o berço do cristianismo. Foi na Ásia que Deus deu início a revelação divina e o cumprimento do projeto salvífico da humanidade. Deus “guiou os Patriarcas e chamos Moisés para conduzir o seu povo para a liberdade. Falou ao seu povo eleito através dos profetas, juízes, reis e corajosas mulheres de fé. Na plenitude dos tempos enviou o seu Filho unigênito, Jesus Cristo, que se encarnou com corpo semelhante ao de um asiático”. Na Ásia, em alguns países não é permitido aos cristãos a prática da fé cristã e muito menos a de anunciar aos outros. Entretanto existem países como Filipinas, Timor Lete onde onde a prática da fé cristã é livre e apoiada pelo estado.
A Igreja cristã convive com todas essas diversidades religiosas e mantém um profundo respeito e diálogo sincero para com todas elas.
Com a vinda ao mundo Jesus Cristo se inculturou tomando aspecto da vida aos homens, assumindo as tradições e os costumes dos diversos lugares que frequentou durante a sua vida terrena. Adotando a cultura local, assume como próprios a história, os sofrimentos e as esperanças do povo. Ide e fazei discípulos meus é o mandato que Jesus legou aos seus discipulos (cf. Mt28,19-20) para que todos tenham a vida em abundância (cf.jo.10,10).
A Igreja, com o Concilio Vaticano II se deu um novo rosot e um novo ardor na missão de evangelização missionária da igreja na Ásia através da missão Ad gentes. Muitas comunidades eclesias foram se instalando no continente. A dinâmica da vivência da fé religiosa é destacada pelas riquezas das celebrações comunitárias.
A vivência serena, livre e pacífica da religião depende muito do sistema ideológico e político onde está inserido. Sendo assim, em alguns lugares é muito difícil praticar a fé em paz e livremente.
Conforme afirma a Exortação a Igreja no continente asiático vem preparando e assitindo ao protagonismo dos leigos na Igreja ao longo dos últimos anos, graça ao impulso dos leigos “a presença de movimentos apostólicos são um dom do Espírito Santo que age trazendo nova vida e espernaça aos povos asiáticos. (…) Em todo esse processo evangelizador e da presença da igreja na Ásia, tanto os bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, de forma efetiva, possuem um papel importante de serem as trestemunhas da Boa Nova de Jesus Cristo. Dar testemunha de Cristo é o maior serviço evangelizador que a Igreja inumbe fazer.
O Concilio Vaticano II pede por uma Igreja peregrina que caminhe com o povo. O papa Francisco pede por uma Igreja de Campnaha, uma Igreja em saída e pastores que tenham o cheiro das ovelhas. Neste sentido a presença dos religios em Ásia é fortemente marcada com uma presença nos lugares onde a pobreza é mais marcante. Os Irmãos são muito valorizados ou reconhecidos socialmente pelo relevantes serviços que prestam junto ao povo pelo trabalho assistencial, educacional e pastoral nas igrejas locais, porém pouco reconhecidos pelo fator clericalismo fortemente marcado no continente.

IRMÃOS DA SAGRADA FAMÍLIA NA ÁSIA:
Uma novidade para a cultura local e uma esperança para o Instituto Irmãos da Sagrada Família.
Na introdução do Projeto de Vida do Instituto 2013-2019, nas palavras do Ir. Justo Rúbio, é afirmado que a nossa abertura ao mundo asiático, pelo viés da educação integral e integradora, a valorização do sentido de adoração e a beleza da liturgia e o diálogo entre a sabedoria milenar marcante representa uma esperançosa realidade. Por isso podemos afirmar que a presença do carisma SAFA como “uma boa notícia no coração das culturas” da Ásia é marcada pelos excelentes frutos vocacionais. A Congregação SAFA “em saída” (busca de nosos espaços de presença) e com “cheiro de ovelhas” (capacidade de inserção) é bem recebida e acolhida pela Igreja e sociedade local onde está inserida. Como Irmãos somos chamados a sermos uma boa notícia e isso nos desafia a acolhermos com alegria evangélica as palavras do Senhor: “Ide por todos mundo e anunciai a Boa Nova”.
Nosso estilo de vida se caracteriza pela simplicidade e humildade e na medida que vivemos esses valores evangélicos podemos oferecer ao mundo a nossa identidade de Irmãos da Sagrada Família. O fazemos especialmente vivendo o evangelho do Bom Samaritano que acolhe ao ferido, abandonado, excluído e a ele oferecer esperança por uma vida digna e plena. Nossa vida na Ásia é fortemente ligada junto às pessoas que necessitam de nossa ajuda tanto na formação humana e espiritual, por isso como irmãos.
Em termos gerais podemos afirmar que o continente asiático oferece muitas vocações às congregações religiosas presentes nesse imenso continente. Entretanto é importante resaltar que as congregações agracidas com vocações são aquelas que tem por prioridade o trabalho vocacional e formação de novos Irmãos. As vocações surgem, mas é preciso priorizar. Em nosso caso como Congregação de Religiosos Irmãos, precisamos trabalhar com intensidade na busca de vocações com programas vocacionais intensos deslocando-nos aos lugares distantes, cruzando montanhas, enfrentando caminhos difícieis e nos lugares carentes de condições de vida mais digna e adequada, como escreve Ir. Juan Andrés Martos: “En este continente los jóvenes que llegan al noviciado provienen de un contexto con desigualdades y necesidades sociales y se aprecia en ellos una valorada espiritualidad y compromiso para realizar obras de caridad, para resolver los problemas de la pobreza material y de la educación”.
Há o perigo claro que alguns jovens buscam a vida religiosa com o objetivo da busca de uma vida cômoda e segura. Neste sentido é importnate ter em consideração quais as reais motivações que apresentam quando manifestam o desejo de ingressar nas casa de formação. Diz Irmão Juan Andrés Martos: “Los Hermanos asiáticos tendrán que hacer esfuerzos para no identificar la vida religiosa con un estilo de vida más elevado, más cómodo y seguro. Es necesario crear una identidad y estilo de vida creíble en los ambientes donde nos movemos”.
Uma outra caracterísitca marcante entre os Irmãos asiáticos é a disposição que tem para atuar num futuro a médio ou a longo prazo missão em outros países onde já estamos tradicionamente presentes e em novas fundações.
Enquanto a questão de futuro sólido da nossa presença no continente asiático, o Ir. Juan Andrés Martos destaca que “El reto al que nos enfrentamos en Asia es el de la formación, camino por el que se va avanzando. Otro reto importante es el de diseñar los posibles campos de misión. Los jóvenes Hermanos de Asia tendrán que enfrentarse también a los desafíos de la fidelidad a la vocación, profundidad espiritual, creatividad en la inculturación del carisma y testimonio y coherencia de vida. Es necesario prever posibles obras de misión o actividades remuneradas para que la autosuficiencia económica pueda llegar un día no lejano”.

Alguns destaques favoráveis a nossa presença na Indonésia e Timor Leste:
Podemos dar destaque o apoio de alguns bispos da região como o bispo de Maumere nos tem oferecido a direção e a docência da uma escola. Do mesmo modo o bispo de Atambua pede aos Irmãos da Sagrada Família uma escola localizada em sua diocese, mais especificamente na zona de Malaka. De acordo com o Ir. Aurélio Arreba, é um lugar onde o Bispo de Atambua quer oferecer aos Irmãos ISF para nossa missão junto as crianças e jovens, familias que atender, internados e escolas diocesanas.
O Bispo de Baucau, no Timor Leste, que prontamente nos acolheu, durante a nossa primeira visita realizada ainda em novembro de 2013 nos ofereceu uma escola situada na cidade de Manatuto. É desejo de dom Basilio a presença ao de uma comunidade religiosa nos diversos povoados da diocese de Baucau. Deseja sobretudo a presença dos religiosos como uma “presença a partir do testemunho de vida fraterna e comunitária”. O Padre Justiniano, sacerdote salesiano, também tem dito para nos em mais de uma oportunidade que a Igreja precisa a presença de Irmãos Religiosos para ser presença nas comunidades, aquilo que o padre não faz.

ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS ISF NA ÁSIA.
Fonte: Carta nº 18 – Ir. Juan Andrés Martos, SG.
Na sequência temos as informações sobre a realidade dos Irmãos presentes na Ásia:
Nosso Instituto na Ásia oferece um rosto novo. (…). Neste continente os jovens que chegam ao noviciado provêm de um contexto com desigualdades sociais e pobreza e se aprecia neles uma valorizada espiritualidade e compromisso para realizar obras de caridade, para resolver os problemas da pobreza material e da educação. São dependentes em formação e economicamente, mesmo que o número de Irmãos nestes países se assemelha a dos outros continentes onde estamos.
Dos 65 Irmãos asiáticos 13 já estão exercendo a missão, tanto em Filipinas, no colégio de Lasang quanto nos dois centros escolares de Kurdeg e Xavariyar Pattanam, estes dois últimos pertencentes a suas respectivas dioceses. Entre os Irmãos asiáticos se aprecia uma disponibilidade para a missão ad gentes e o desejo de ir para novas missões de “fronteira” onde a presença e o serviço educativo, pastoral e social sejam necessários. (…). É necessário criar uma identidade e estilo de vida credível nos ambientes onde nos movemos.
As fundações no continente asiático começaram no ano 2000 nas Filipinas; na Índia em 2003; na Indonésia em 2011 e no Timor Leste em 2014. Das 10 Comunidades de Irmãos 3 são de missão e as 7 restantes de Formação. O número de alunos que as Comunidades atendem é de uns 1.600. Nossa presença na Ásia é relativamente jovem e resulta difícil predizer o futuro. De todas as maneiras, podemos prognosticar que a Congregação, com mais ou menos dificuldades, irá fazendo caminho nesse continente. Há que ter em conta que, salvo em Filipinas e Timor Oriental (Leste), nossos Irmãos na Ásia têm que viver em países não cristãos, onde experimentam, com maior ou menor intensidade, discriminações, marginalizações e possíveis ameaças.
O desafio a que nos enfrentamos na Ásia é o da formação, caminho pelo qual se vai avançando. A ratio de estudos que se tem posto em marcha vai exigir praticamente um período mínimo de formação pós-noviciado de 6 a 8 anos. Outro desafio importante é o de desenhar os possíveis campos de missão. Os jovens Irmãos de Ásia terão que enfrentar-se também aos desafios da fidelidade à vocação, aprofundamento espiritual, criatividade na inculturação do carisma e testemunho e coerência de vida.
A economia da região é dependente da Administração Geral e da Província da Assunção. É necessário prever possíveis obras de missão ou atividades remuneradas para que a autossuficiência econômica possa chegar um dia não distante. Neste sentido Filipinas é o lugar mais consolidado