MENSAGEM DO IRMÃO ANIMADOR GERAL

Estimados Irmãos, membros das Fraternidades Nazarenas, Aspirantes a Irmãos, Comunidades Educativas, Comunidades cristãs, Catequistas e amigos da Família Sa-Fa: 

A Páscoa da Ressurreição abre uma nova época litúrgica, o tempo da Páscoa. Por 50 dias celebraremos a Ressurreição de Jesus, o triunfo de Cristo sobre a morte. E na palavra “morte” podemos incluir: o mal, o pecado, a violência, a injustiça, a angústia. A grande notícia de que Cristo vive traz a esperança aos homens de todos os tempos. É o coração da fé cristã. Na liturgia cantaremos Aleluia!, porque Jesus venceu a morte e nos traz a vida do homem novo.

Da limitação à desesperança

O longo período da pandemia da Covid 19 nos trouxe grandes limitações e sofrimento. Muitas pessoas estão sentindo angústia, medo e insegurança quanto ao futuro. Muitos outros sofrem com a escassez de materiais, falta de trabalho, falta de saúde ou falta de educação. E para outros, esse momento é marcado pela dolorosa prova da doença ou pela perda de um ente querido. Todas as nações, famílias e indivíduos estão sendo afetados pela pandemia de alguma forma. Essas experiências podem nos levar da limitação à desesperança que nos impede de olhar o futuro com confiança.

Os discípulos de Jesus e as mulheres que o seguiram também tiveram esses sentimentos ao verem Jesus encerrar sua vida como um fracasso, condenado à morte na cruz. Jesus não só teve pena do sofrimento das pessoas que viu nas estradas e nas ruas, mas também a viveu com toda a dureza na própria carne. Jesus não ignorou a dor, mas assumiu a condição humana “tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. É por isso que Deus o exaltou”(Fl 2, 8).

Os seguidores de Jesus, depois de viverem a experiência traumática da paixão de seu Mestre, se isolaram em casa por medo dos judeus e se fecharam em suas dores. Sua vida foi aprisionada pela morte. Esses discípulos estavam na mesma casa, eles sofreram juntos e se consolaram com o espírito que Jesus lhes ensinou: “Amai-vos uns aos outros”. Companhia, proximidade e conforto mitigaram a ausência de Jesus.

Mas houve quem se atreveu a sair: «No primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram visitar o túmulo» (Mt 28, 1). Elas usavam os perfumes que haviam preparado para embalsamar o corpo. Um anjo saiu ao encontro delas e disse: “Não temais, eu sei que procurais Jesus, o Crucificado; Ele não está aqui, ressuscitou como havia dito” (Mt 28,5-6).

A visita ao túmulo não foi em vão, elas foram as primeiras a receber a notícia da ressurreição. Da mesma forma, Pedro, que, embora a princípio não acreditasse no testemunho das mulheres, correu para verificar a veracidade do que diziam. Sua busca os trouxe à luz. Neles tudo mudou: o medo se transformou em coragem, a tristeza se transformou em alegria, a desesperança se transformou em esperança e o espaço fechado de uma sala se abriu para percorrer os caminhos do mundo conhecido.

Já ouvimos muitas vezes neste tempo de pandemia a frase “vai ficar tudo bem”, é uma expressão de incentivo dita com otimismo. É uma bela expressão de encorajamento. Mas a esperança cristã vai mais longe e nos diz que tudo pode correr bem ou que até coisas darão errado, mas que tudo tem um significado porque Cristo deu ao mundo uma dinâmica de vida e ressurreição. Nós, como os discípulos daqueles primeiros momentos, podemos nos encerrar no sofrimento, sendo prisioneiros da dor. Mas também podemos, como eles, aceitar a dor por amor e abrir-nos à esperança indo ao encontro de Jesus ressuscitado.

Um tempo novo

Ele não está aqui, ressuscitou” (Lc 24,6). O amor trouxe a ressurreição. O amor do Pai pelo Filho e o amor do Filho por toda a humanidade. Mais forte que a morte é o amor vivido por Jesus. Agora Jesus é a verdadeira luz, “Eu sou a luz do mundo”, ele lhes disse. A luz não podia ser encerrada no sepulcro, mas era chamada a iluminar o mundo: «A luz não foi feita para ser colocada debaixo do alqueire, mas para iluminar os que estão em casa» (Mt 5, 15).

Às vezes nos perguntamos: se Cristo ressuscitou, por que as doenças, as guerras, a fome, o ódio continuam? A natureza humana sempre carregará suas limitações e mágoas do pecado. Mas a Ressurreição traz-nos a possibilidade de olhar para além, de ver os horizontes da vida, de não nos fecharmos às próprias limitações. O amor que Jesus pregou ao longo de sua vida é agora a grande força do mundo. A vida tem a última palavra face à morte, o mal se vence pelo bem, o amor dá sentido a tudo, a esperança ilumina o mundo. Com base em que eu espero?

A pandemia que estamos sofrendo favorece o desejo de que tudo isso passe e que um novo tempo chegue. Nós nos unimos aos primeiros cristãos quando eles ansiavam por “novos céus e uma nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13). À luz da ressurreição, a pregação de que um novo Reino baseado no amor é possível é bem compreendida. Como os discípulos de Jesus, queremos virar a página e poder recomeçar. Jesus nos convida a tornar a humanidade mais fraterna. Queremos que a fraternidade da família humana seja a próxima etapa da história, uma realidade a ser construída. O Papa Francisco encorajou-nos com a sua última Encíclica “Fratelli tutti”.

A ressurreição leva a uma alegria contagiante: “Elas saíram correndo do túmulo, com temor e grande alegria, para comunicá-la aos seus discípulos” (Mt 28, 8). E, “de repente, Jesus saiu ao encontro delas e os saudou, dizendo: ‘Alegrai-vos‘ (Mt 28,9). Alguns estudiosos da Bíblia traduzem a palavra “alegrar-se” como “que a paz esteja com você”. Paz e alegria são duas palavras de saudação que abrem os diálogos do homem ressuscitado com os seus discípulos. São dons pascais que Jesus ressuscitado nos oferece. Vamos recebê-los e nos perguntar: são a paz e a alegria em nossos corações valores essenciais?

Elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram” (Mt 28,9). Em tempos de distanciamento social, como sentimos falta da proximidade! Percebemos seu imenso valor e compensamos sua ausência por meio da mídia. O amor se manifesta na proximidade. As mulheres se aproximaram de Jesus e “abraçaram seus pés e o adoraram”. É um gesto distante de nossas culturas, mas naquela época era um gesto cotidiano. Poucos dias antes, Jesus se ajoelhou para lavar os pés dos seus discípulos e disse-lhes: “Também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13,14). Um gesto que tem muitos significados: carinho, respeito, reconhecimento, acolhimento, serviço… Perguntamo-nos: que gestos utilizo para expressar o amor e o serviço aos outros?

Não tenha medo; Vai dizer aos meus irmãos que vão para a Galiléia, e lá me verão”(Mt 28,10). A Galiléia é o espaço onde os discípulos realizaram a missão junto com Jesus, a terra do ministério ordinário agora iluminada pela Ressurreição. Lá eles o reconhecerão e verão o significado de tudo o que experimentaram. Tinha sido o ponto de partida e lá eles deveriam voltar para recomeçar. Agora eles se tornam os portadores das Boas Novas. Lá eles receberam o fogo do Espírito que os encorajou a levar a mensagem de Jesus até os confins do mundo.

Como Jesus, no Lago da Galiléia, devemos anunciar o Evangelho e chamar os outros a segui-lo. Os discípulos foram chamados e designados para uma missão. Cada um de nós também recebeu um chamado para uma missão. Junto com esta mensagem pascal, quero oferecer-lhe uma “Oração pelas vocações à Família Sa-Fa” para pedir ao Senhor que envie trabalhadores à sua vinha para levar esperança, fé e amor à nova “Galiléia” de uma mundo que aspira a ser mais fraterno. No IV Domingo de Páscoa celebraremos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o Dia do Bom Pastor. Levemos a sério a animação vocacional e o cuidado pela própria vocação. Que o interesse pelas novas vocações seja também fruto desta Páscoa 2021.

Feliz Páscoa da Ressurreição!

Roma 11 – 03 – 2021

Ir. Francisco Javier Hernando de Frutos. AG