A NOSSA VOCAÇÃO COMO DOM!

  Em consonância com o tema da Campanha da Fraternidade, que abordava a questão da água, corn o lema "Água fonte de vida" o mês de agosto pretende continuar focalizando o tema, na perspectiva da reflexão sobre as vocações. Em vista disso, a Igreja do Brasil, através da CNBB, no setor do serviço de animação vocacional amplia e aprofunda a temática, desejando não permanecer meramente numa abordagem que enfatize a valorização da água, no sentido de matar a sede física, mas fazer perceber as variadas sedes sentidas por parte do povo na caminhada do tempo presente.
 

   Para aprofundar esta percepção sugere coma reflexão, a passagem ou o ícone evangélico do encontro de Jesus com a samaritana no poço de Jacó. Vale à pena conferir: Fatigado da carninhada, Jesus sentou-se junto á fonte. Era por volta do meio dia. Una mulher da Samaria chegou para tirar água. Jesus lhe disse: "Dá-me de beber!" Seus discípulos tinham ido à cidade comprar alimetno. Diz-lhe então a samaritana: "Como, sendo judeu, tu me pedes de beber, a mim que sou samaritana?". Jesus lhe respondeu: "Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz: Dá-me de beber, tu é que lhe pedirias e lê te daria água viva". Depois que Jesus fez a reflexão sobre a "água viva" e que "quem dela tomar, não terá mais sede", a mulher lhe diz: "SENHOR, DÁ-ME SEMPRE DESSA ACUA".

   Os poços marcam o itinerário terrestre e espiritual na caminhada do povo de Israel. A água da fonte torna-se símbolo da vida que é dada por Deus, especialmente nos tempos messiânicos. Ele nos chama a distribuir a "água viva" para matar a sede do povo, que sabemos são muitíssimas. Jesus vem a ser para nós a fonte de agua viva, no qual é possível saciar todas as sedes. Ele é a resposta a todos anseios humanos.

    Além desse aspecto é sempre interessante ressaltar que a vocaão precisa ser concebida como um dom inestimável da graça concedido pelo Senhor ao qual corresponde necessariamente um bem doado de nossa parte. A vocação na expressão das nossas Constituiçõoes evoca o mistério de um Deus que chama e o ser humano livre que aceita e se compromete. A dimensão de mistério não deixa de ser um aspecto fundamental para compreender e assimilar melhor a riqueza deste dom.  Por isso é interessante reforçar a convicção de que a vocação não pode ser concebida como mérito nosso. É a iniciativa de um grande amor da parte de Deus para com cada um de nos. Portanto não nos pertencemos nem nos bastamos. E conseqüentemente a nossa vida haverá de ser entrega, doação e partilha daqueles talentos maravilhosos que recebemos e que necessitam ser colocados generosamente a serviço dos nossos irmãos.

    0 mês vocacional é também um convite renovado no sentido de questionar-nos se de fato estamos assumindo a nossa vocação tendo em conta esta visão e percepção. Mais do que falar de vocação é mister vivenciá-la e assumi-la. Mais do que explicitá-la requer-se compromisso. Porque existem discursos e fundamentos fantásticos sobre o assunto, porém o que carece essencialmente são modelos vivos. Na expressão de alguém muito proximo de nós pudemos evidenciar a seguinte manifestação: É tudo tâo bonito quando seftala de vocação, porém que pena "os baitas " exemplos que temos.

    0 testemunho profético de lima vida religiosa alegre e convictamente assumida é algo que exerce una força extraordinária. De nada adiantam elucubrações discursivas e belas falácias. 0 que vale mesmo é o exemplo. A pedagogia de Jesus do "vinde e vede" é uma sempre uma excelente proposta.

   
Tenhamos, presente, pois, que é importante rezarmos, colaborarmos direta ou indiretamente no serviço de animação vocacional, porém é imprescindível que assumamos a nossa propria vocação como dom do Senhor que requer a cada novo dia uma resposta convicta, generosa e entusiasta. Sejamos, portanto, verdadeiramente Irmãos da Sagrada Família. E no mais o Senhor haverá de prover.