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O Venerável Irmão Gabriel Taborin,
nascido em Belleydoux (França), em 1799, é o Fundador do
Instituto dos Irmãos da Sagrada Família.
Uma fé profunda, recebida como dom de Deus através
de uma família piedosa, iluminou o caminho de sua vida
numa época de contrastes e ruínas morais que se seguiu à
revolução francesa. Precisamente esta situação
desfavorável foi para ele uma oportunidade para ir a
Deus, dando-lhe acolhida generosa em seu coração.
E o Espírito, a quem Gabriel pedia cada dia, com
confiança e simplicidade, como ser testemunho do
Evangelho naquele tempo, naquele lugar, naquelas
circunstâncias, o conduziu, -a ele leigo- , a enriquecer
a Igreja com uma nova família religiosa.
As características assumidas e transmitidas pela
nova Congregação são manifestações dos dons e (e também
as limitações) que o Espírito nos tem dado através de
nosso Fundador: esteve muito unido a sua
família natural, gostava de catequizar a adultos e
crianças, ensinar em especial nas escolas dos meios
rurais, cuidar as cerimônias religiosas, o canto
gregoriano, adornar os lugares de culto.
"Simplesmente Irmão" será o núcleo
do carisma e identidade de seus Irmãos, expressão que
convida a ser com todos verdadeiros irmãos, seguindo o
espírito de família próprio da Sagrada Familia de
Nazaré.
"Educar a juventude através da catequese e do
ensino na escola" será o serviço mais importante que
os Irmãos oferecem à Igreja e à sociedade.
"Ajudar aos párocos” nas obras e
atividades pastorais dirigidas aos jovens, às famílias,
aos anciãos… será uma das intuições geniais do Irmão
Gabriel.
Como qualquer obra que vem de Deus, também
a "criatura" de Gabriel encontrou dificuldades de toda
sorte, mas "se é de Deus, Ele saberá sustentá-la",
afirmou. Hoje a Congregação está espalhada em quase
todos os continentes. O Irmão Gabriel morreu em Belley
(França), em 1864.
Fr.
Pierino Dotti
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CAPÍTULO III
FRATERNIDADE,
DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO
E SOCIEDADE CIVIL
34. A caridade
na verdade coloca o homem perante a admirável
experiência do dom. A gratuidade está presente na sua
vida sob múltiplas formas, que frequentemente lhe passam
despercebidas por causa duma visão meramente produtiva e
utilarista da existência. O ser humano está feito para o
dom, que exprime e realiza a sua dimensão de
transcendência. Por vezes o homem moderno convence-se,
erroneamente, de que é o único autor de si mesmo, da sua
vida e da sociedade. Trata-se de uma presunção,
resultante do encerramento egoísta em si mesmo, que
provém — se queremos exprimi-lo em termos de fé — do pecado
das origens. Na sua sabedoria, a Igreja sempre propôs
que se tivesse em conta o pecado original mesmo na
interpretação dos fenómenos sociais e na construção da
sociedade. « Ignorar que o homem tem uma natureza
ferida, inclinada para o mal, dá lugar a graves erros no
domínio da educação, da política, da acção social e dos
costumes »[85].
No elenco dos campos onde se manifestam os efeitos
perniciosos do pecado, há muito tempo que se acrescentou
também o da economia. Temos uma prova evidente disto
mesmo nos dias que correm. Primeiro, a convicção de ser
auto-suficiente e de conseguir eliminar o mal presente
na história apenas com a própria acção induziu o homem a
identificar a felicidade e a salvação com formas
imanentes de bem-estar material e de acção social.
Depois, a convicção da exigência de autonomia para a
economia, que não deve aceitar « influências » de
carácter moral, impeliu o homem a abusar dos
instrumentos económicos até mesmo de forma destrutiva.
Com o passar do tempo, estas convicções levaram a
sistemas económicos, sociais e políticos que
espezinharam a liberdade da pessoa e dos corpos sociais
e, por isso mesmo, não foram capazes de assegurar a
justiça que prometiam. Deste modo, como afirmei na
encíclica Spe
salvi[86],
elimina-se da história aesperança cristã, a qual, ao
invés, constitui um poderoso recurso social ao serviço
do desenvolvimento humano integral, procurado na
liberdade e na justiça. A esperança encoraja a razão e
dá-lhe a força para orientar a vontade[87].
Já está presente na fé, pela qual aliás é suscitada.
Dela se nutre a caridade na verdade e, ao mesmo tempo,
manifesta-a. Sendo dom de Deus absolutamente gratuito,
irrompe na nossa vida como algo não devido, que
transcende qualquer norma de justiça. Por sua natureza,
o dom ultrapassa o mérito; a sua regra é a excedência.
Aquele precede-nos, na nossa própria alma, como sinal da
presença de Deus em nós e das suas expectativas a nosso
respeito. A verdade, que é dom tal como a caridade, é
maior do que nós, conforme ensina Santo Agostinho[88].
Também a verdade acerca de nós mesmos, da nossa
consciência pessoal é-nos primariamente « dada »; com
efeito, em qualquer processo cognoscitivo, a verdade não
é produzida por nós, mas sempre encontrada ou, melhor,
recebida. Tal como o amor, ela « não nasce da
inteligência e da vontade, mas de certa forma impõe-se
ao ser humano »[89].
Enquanto dom
recebido por todos, a caridade na verdade é uma força
que constitui a comunidade, unifica os homens segundo
modalidades que não conhecem barreiras nem confins. A
comunidade dos homens pode ser constituída por nós
mesmos; mas, com as nossas simples forças, nunca poderá
ser uma comunidade plenamente fraterna nem alargada para
além de qualquer fronteira, ou seja, não poderá
tornar-se uma comunidade verdadeiramente universal: a
unidade do género humano, uma comunhão fraterna para
além de qualquer divisão, nasce da convocação da palavra
de Deus-Amor. Ao enfrentar esta questão decisiva,
devemos especificar, por um lado, que a lógica do dom
não exclui a justiça nem se justapõe a ela num segundo
tempo e de fora; e, por outro, que o desenvolvimento
económico, social e político precisa, se quiser ser
autenticamente humano, de dar espaço ao princípio
da gratuidade como
expressão de fraternidade.
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